terça-feira, 10 de abril de 2018

O crochê na minha vida


    Para quem ainda não me conhece muito bem, eu faço crochê. Há uns meses que venho fazendo várias coisas para distrair a minha cabeça. Além de ser antiestresse, é produtivo. Cheguei a fazer várias peças e nessa semana comecei mais uma. Pretendo falar mais sobre crochê, criações, inspirações e coisas do tipo aqui no blog, mas hoje será algo breve.


    Eu aprendi a fazer crochê quando era pequenina. Um dia vendo minha avó fazer, pedi para me ensinar. Mesmo ela não sabendo tantas coisas, me ensinou o pouco que sabia e acredite, isso valeu muito a pena. Cresci e deixei pra lá. Não queria mais fazer essas "coisas de velho". Isso eu pensava até uns 2 anos atrás que foi quando eu finalmente voltei a crochetar. 


    Estava em um dos meus dias desagradáveis. A ansiedade a mil, a depressão querendo bater na porta... quando finalmente entrei no youtube e tinha um vídeo como sugestão, e olha só... era sobre crochê! Mas não sobre esses crochês que vemos diariamente, como barrado de pano de prato, ou tapete de banheiro (não estou desvalorizando, inclusive, eu acho bonito! Só não faz muito meu tipo, mesmo eu já tendo feito tais peças), mas sim roupa de crochê. Eu fiquei encantada! 


    Foi então que eu decidi que voltaria a fazer esse trabalho manual. Fui numa loja aqui perto de casa, comprei lã e uma agulha número 3, comecei a tecer. Foi uma das melhores coisas que fiz na vida. Desde então não parei de fazer, mesmo ficando semanas ou até poucos meses sem pegar na agulha.

Xale que estou fazendo nessa semana. Estou quase acabando! xD

    Após tudo isso, eu acabei conhecendo vários canais, blogs, grupos e até mesmo comecei a influenciar outras pessoas a fazerem crochê também. É gratificante fazer e ensinar a prática. Estou na busca do aperfeiçoamento e claro, buscando inspirações. Agora minha cabeça está borbulhando de ideias, mas meus dedos ainda não acompanham, são bem lentos. 
      Estou no preparo de novos posts ainda sobre o assunto, então esperem por mais! xD

terça-feira, 20 de março de 2018

Perecimento



(TEXTO FICTÍCIO)

    Talvez essa seja a minha última semana nesse lugar. O ar condicionado parece ficar mais frio a cada dia. As paredes brancas e sinalizadas com placas de silêncio deixam o ambiente ainda mais gélido. Essa maca com lençóis brancos faz barulho cada vez que me mexo, mas já deixou de ser desconfortável. Creio que me acostumei, afinal, estou aqui no hospital há 8 meses. A comida já não tem um gosto ruim. Na janta sempre recebemos uma sopa aguada e com pouquíssimo sal, tão pouco que nem parece tê-lo.
    Quando eu tenho melhoras, peço minha irmã para me ajudar a ir ao lado de fora, pois gosto de sentir ar fresco. Há um belo jardim com margaridas brancas e amarelas, com algumas flores vermelhas também, que não tenho ideia de qual espécie seja. Eu gosto dessa combinação. É simples, singela e confortável. Só de conseguir sair daquele quarto e ver as flores, sentir um pouco de raios solares na minha pele, já se torna tudo agradável. Talvez essa seja a última semana que verei tudo isso, tenho que aproveitar.
    Normalmente no pátio ficam outras pessoas com a mesma condição que a minha. Algumas melhores, outras piores. No começo eu me assustava, mas hoje, eu nem sequer ligo. Aliás, já fiz amizades por aqui. Algumas já se foram, algumas permanecem e outras continuarão aqui depois que acabar os meus dias.
    Um pouco depois da entrada do hospital tem a sala do Noah, o médico que cuida de mim desde que vim parar aqui. Alto, com cabelos negros, barba fechada e sempre aparada. Tem um corpo bem definido, mãos grandes e fortes, porém suaves. Seu toque é sempre macio. Eu gosto de quando ele vem me examinar todas as tardes. É gostoso sentir mãos quentes em mim, há tempos eu não sei o que é estar quente. Pessoas doentes normalmente são frias, o pouco de calor que nosso corpo tem é para manter nosso coração batendo, mesmo que vagarosamente.
    Mas não, ele não faz meu tipo mesmo sendo tão bonito. O Ren faz. Ele é dois anos mais velho do que eu. Alto também, mas ao contrário do Dr Noah, seu corpo não é nada definido. Não há curvas generosas, nem braços fortes e rígidos. Ele é magro, cintura fina, ombros largos e aconchegantes. Tem olhos castanhos e brilhantes, boca carnuda e um sorriso.... Ah, que belo sorriso! Quando ele sorri, tudo ao redor fica feliz. Eu fico feliz...  
    Tem um pouco mais de uma semana que não o vejo, a não ser em meus sonhos. Conversávamos quase todos os dias, sempre tínhamos assunto. Ele foi a pessoa mais marcante para mim durante todos esses meses internada. Lembro da nossa última conversa, nela eu perguntei o que ele pretendia fazer depois que saísse daqui.
    – Eu tenho um sonho, você faz parte dele. Falamos disso amanhã, ok? – Ele então me deu um beijo na testa e saiu do meu quarto com um sorriso enorme, de orelha a orelha, mas no fundo algo o incomodava. Ele não queria que eu percebesse que estava mal.
    Uma hora e 5 minutos depois chegara a notícia. Eu não podia acreditar, fiquei sem chão. Eu não conseguia parar de chorar, havia um desespero enorme dentro de mim e acabei não aguentando, desmaiei. Acordei algumas horas depois na sala de emergência, deitada, fraca, respirando oxigênio através de uma máscara e algumas agulhas cravadas no meu braço, de novo. Minha irmã estava no canto do quarto enquanto minha mãe andava na direção da porta conversando com o Noah.
    – O coração dela está cada vez mais fraco, não creio que haverá tempo até o transplante. Seu nome é um dos últimos na fila... –Eu escutava isso, enquanto via minha irmã chorar e minha mãe ficar cada vez mais triste, afinal, ela sabe o que está para acontecer. Até já me convenci disso.
    No dia seguinte, lá estava eu, com um vestido preto que a mamãe comprou para mim, de pé em frente ao corpo da pessoa que eu mais me apeguei e que estava apaixonada. Cheguei mais perto e peguei sua mão. Magra e ainda mais fria que de costume. Pálida e com aspecto roxeado. Não é a primeira vez que vejo um cadáver. Nesses oito meses vividos em meio a pessoas doentes, participei de alguns funerais. São todos bem parecidos, não muda muita coisa.
    Hoje, alguns dias depois do ocorrido, ainda me sinto triste. Sinto falta dele, sinto falta de poder desabafar e conversar sobre coisas que eu não falava com outras pessoas, nem com o médico. Dentro de mim sinto que está acabando meu tempo, minha família também já percebeu isso. Mas eu estou bem, acredite. Não sei o que há após o fim de nossa vida material, mas espero que eu esteja indo para um lugar melhor, mais confortável, onde eu não sinta tanta dor física.
    Nunca tive a oportunidade de brincar como crianças normais, ir a baile de formatura, dançar ou nadar. Nadar era meu sonho, a primeira e única vez que fiz isso não ocorreu nada bem. Na minha adolescência também não tive o gosto (ou desgosto) de sair com amigos para algum lugar e beber algo, ou virar a noite na casa de um amigo, ter experiências amorosas e carnais.... Não, isso nunca me aconteceu. Nunca pude ter uma vida normal como de qualquer outra pessoa. Grande parte da minha vida foi perdida ficando internada em hospitais. Agora, aos 21 anos, só quero que isso acabe logo.
    Não estou desejando meu fim, só estou sendo sincera comigo mesma, pois eu sei que ele está próximo. Já me despedi de quem eu deveria me despedir, já agradeci a quem eu deveria agradecer. Me apaixonei por quem eu deveria me apaixonar e agora, estou terminando minha vida como ela deve ser terminada. Ainda há uma última coisa a se fazer, mas creio que isso seja um segredo.
    Viva a vida até seu último minuto da forma que ela deve ser vivida. Faça o que tem de ser feito, ame mesmo que acima de tudo. Acredito que em breve nos veremos num lugar bem melhor.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Tortuosidade

  

  
  Todo mundo já ouviu o famoso ditado "Se os olhos não veem, o coração não sente", e isso se encaixa muito para mim. Não sei se é porque eu reprimo minhas palavras e parte dos meus sentimentos, ou se é porque eu sinto demais nas partes não reprimidas e não tem como evitar. Não há como evitar o inevitável. 
  Pequena parte de mim não quer sentir, mas a maior parte quer e por isso eu acabo sentindo. No momento, sinto tristeza. Sinto vontade de me levantar da cadeira e sair andando com meus fones nos ouvidos. Andar até cansar e minhas pernas dizerem "chega!", ou até meus pés começarem a sangrar. Sinto também vontade de chorar, mas chorar tanto até minha camisola ficar encharcada. Aliás, faço isso no momento.
  Estou em um dos meus "piores dias". Aqueles dias ruins que todos os seres humanos têm que conviver. Dias que só em acordar, já sentimos no ar aquele cheiro de que não vai acontecer algo de bom. Quem sabe no próximo dia?
  Estou amargurada. Queria que acontecessem coisas boas todos os dias, mas de certa forma, acabaria entrando numa rotina e a felicidade deixaria de existir. Afinal, se existe felicidade é porque antes existiu tristeza e é por isso que damos valor quando aquela vem.
  Eu queria escrever muitas coisas, mas tenho medo do que posso escrever. Ainda sou muito acanhada nas palavras, tanto ditas, quanto escritas. Escrever é como falar com os dedos. É um mundo infinito de palavras e sentimentos bons e ruins. Uma porta para quem precisa sair e ver a luz do sol. Mas quem disse que eu quero o sol?
  Escrever me relaxa. Reli o texto tantas vezes que até parei de chorar. Isso é bom, não?
  Não sei se eu escrevo isso por mim ou para meu futuro leitor, que é você. Isso mesmo, como consegue perder tanto tempo lendo pensamentos desnecessários de uma menina? Eles são confusos.

Tudo que eu escrevo aqui é confuso pois é parte de mim. Tenho um turbilhão de pensamentos e sentimentos que não sou capaz de entender, e acho que eu também nem quero.

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Em momentos de tristeza, escreva. 
(Texto antigo mas de grande importância para mim)